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Ups, I have a home to care

Preciso de férias... Já!!

Há dias em que me apetece "sair do meu corpo", desaparecer por algum sítio, com algumas pessoas. Pessoas diferentes... há dias que me apetece tirar férias da minha família, do meu papel de esposa, do meu papel de mãe. Há dias que me apetece tirar férias de mim mesma! Hoje é um desses dias.

Hoje eu não posso ver ninguém à frente, qualquer gesto, por mínimo que seja, me irrita, tira-me do sério. Hoje, não posso sequer ouvir mais a voz da minha filha (e isto ainda me faz sentir pior, e sentir-me um fracasso como mãe, como pode uma mãe não aguentar mais ouvir a filha?).

Hoje, ontem, anteontem... 3 dias seguidos de nervos, ralhetes e castigos, seguidos de sentimento de culpa, vontade de fugir e chorar. 

Eu entendo, juro que entendo que as férias escolares são complicadas para pais e filhos. É uma mudança de rotina abrupta. Mas não é disso que se trata. Hoje não me apetece sequer tratá-la por princesa no post. Desculpa filha, mas hoje serás a M., hoje és uma pestinha, um diabinho vestido de rosa. 

A M. é uma menina muito protegida e mimada, confesso. Há aqui na rua uns dois ou três meninos/as da escola dela que todas as noites vão para brincar uns com os outros e até à 3 dias atrás, a M. ficava a vê-los, ou ficava na brincadeira comigo. 

Mas à 3 dias atrás, eles tocaram à campainha para a chamarem para a rua e o pai imediatamente aprovou. Lá foi ela. Até aí não vi nenhum problema, eles estavam a brincar aqui na porta do prédio. Moramos numa vila calma, uma zona rural sem grande trânsito ou confusões.

Mas eis que começa um entra e sai para minha casa, ora querem ver um dvd,  que mal se liga já está a ser ignorado porque entretanto já estão a jogar PSP, há berros, e a PSP que afinal de contas tem um jogo que não apetece jogar e troca-se o cd do jogo sem desligar... e mais berros, mas afinal não é PSP que apetece jogar e vamos para o terraço, e berros. 5 minutos no terraço e voltam para dentro de casa... aos berros, e voltam a sair, e voltam a entrar, e a sair e... CHEGAAAAA! A mãe dos outros colegas não os deixam ir brincar na casa delas, a minha casa não é nenhum A.T.L., aqui não é nenhum campo de férias nem algo que se pareça.

Conversei com a M. e expliquei que assim não podia ser. Eu dei-lhe a liberdade para ela estar na rua a brincar, mas não podia mais trazer os amigos para casa. Ordem completamente desrespeitada. 3 dias disto, 3 dias de dores de cabeça, de frustração porque quero muito que ela conviva, aprenda a ser autónoma, tenha amigos, brinque. Mas há regras e limites e ao impô-los sinto- que lhe estou a privar tudo o que mencionei. 

Hoje, a campainha de casa, que também já testou bem os meus limites de paciência, não parou de tocar desde as 9h. E eu obriguei-a a ir lá, e dizer que estava a fazer trabalhos da escola e não podia. 15 minutos depois a campainha, e não. Outros 15 minutos e tudo de novo. Apreeee!!! Todo o dia nisto. Estou cansada, estou frustrada. Apetece-me chorar, chorar muito. Sinto-me uma péssima mãe que não se sabe impor e, quando me imponho ocorrem-me 1001 pensamentos. E se um dia ela não conseguir conviver socialmente, eu serei a culpada? Ela não sabe brincar, eu sou a culpada! E se... e se... chega. Estas férias mal começaram e já começaram mal.

Ansiosa que chegue Julho. Já que não posso tirar férias de mim mesma, férias da minha família, levo a família comigo de férias.

Hoje sinto-me uma péssima mãe por ter estes pensamentos, por não ser sequer capaz de chamar a minha filha de princesa. Mas as princesas não se portam assim. 

Este é apenas um desabafo, de uma mãe à beira de um ataque de nervos, em plenas férias escolares. Não serei a única pois não?